02 Oct 2014

Maratona de conteúdo em prol do design nacional

 

 

 

Confira um resumo de cada uma das oito palestras e quatro workshops realizados na Maratona MUDE

Além da primeira batalha criativa do setor calçadista brasileiro, que aconteceu entre os dias 26 e 27 de setembro, no Barra Shopping Sul, em Porto Alegre/RS, a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) promoveu uma maratona de conteúdo dentro da Maratona MUDE. Confira abaixo o resumo de cada uma das oito palestras e quatro workshops que aconteceram durante o último sábado e atraíram mais de 500 pessoas ao centro de compras da capital gaúcha.

Pret-a-Template

Dando inicio à maratona de palestras, a idealizadora do Pret-a-template, Roberta Weiand, contou à plateia sua experiência na grife italiana D&G e relatou o processo de criação de seu aplicativo voltado para desenho de moda. Roberta, que estudou design de moda e também integrou a equipe ganhadora do Reality Show IED Fashion Academy, realizado pela Editora da Vogue Japão, Anna Dello Russo, contou que o grande objetivo do aplicativo é “facilitar a vida do estilista para que a peça pensada possa ser rapidamente desenhada com auxilio do aplicativo”. O Pret-a-template é gratuito e fornece linhas guias para desenho do sketch em bonecos que atendem aos mais diversos estilos de corpos. “O aplicativo, que já está na versão 1.2, vem com um grande objetivo: auxiliar no desenho apropriado e aprimorado”, acrescentou Roberta.

Tendências

Continuando a maratona, teve início da exposição da diretora de moda da WGSN, Bruna Ortega, que falou sobre tendências para as próximas temporadas. Para o inverno 2014, a profissional listou referências minimalistas, com cores sóbrias, o artesanal, com a combinação de estampas étnicas em tons terrosos – especialmente marrom, o retro, com a celebração dos anos 60, e a volta dos temas esportivos com tonalidades primárias. “Entre os itens-chave, destaco as botas over the knee, cano longo, slouch, flat, utilitária, worker, chelsea, os híbridos peep toe e bota, mules, mocassins, scapins, oxfords etc”, relatou. Já nas bolsas, devem aparecer com força as clutchs, as bolsas-saco, mochilas e pochetes – que viram cinto. Os acabamentos dos calçados devem ser de solas tratoradas, saltos contrastantes, gáspeas altas, franjas, ilhós utilitários – “mais rockers”, glitter, entre outros.

Bruna ainda contribuiu com um trend alert de verão 2015/2016. Segundo ela, as coleções devem aparecer com gladiadoras, chinelos de tiras duplas, esportivos, tudo isso com uma pitada retro. Por fim, a especialista listou a importância do visual merchandising, afinal de nada adianta ter um produto de moda sem a exposição adequada. Neste quesito, Bruna chamou a atenção para os espaços de brincadeiras, com referências lúdicas na exposição dos produtos, ambientes mais caóticos com ligação com a arte e de forte apelo interativo e minimalistas para aquelas marcas mais vanguardistas que buscam foco maior no produto.

Vogue

Abordando conceitos de processos criativos, os diretores de arte e criação da Vogue Brasil, Ítalo Massaru e Clayton Carneiro fizeram a frente destacando as peculiaridades das diversas versões da publicação pelo mundo, especialmente da brasileira. De acordo com Massaru, a revista, que contabiliza 20 edições pelo mundo, é caracterizada pela cultura local. “Nos Estados Unidos o culto às celebridades é muito forte, o que faz com que a capa traga sempre uma figura reconhecida. Já na França, por exemplo, a sensualidade contida é uma referência forte”, disse.

Na Vogue brasileira – que está entre as seis mais influentes do mundo, explica Massaru, as cores intensas e belezas naturais são ícones. Carneiro salientou que o Brasil possui muito para mostrar. “Somos um País com muita informação e ainda não mostramos a maior parte do que temos. É uma pena ver tantas publicações copiando o que vem de fora”, pontuou. Ele ressaltou, ainda, o forte trabalho da Vogue como forma de frisar a brasilidade. “Buscamos sempre trazer grandes modelos e realizar os editoriais dentro do Brasil, em nosso solo”, concluiu Carneiro.

Casa de Criadores

Iniciando a programação na parte da tarde, o fundador e diretor da Casa de Criadores, André Hidalgo, contou a história do projeto criado em 1997, hoje o principal lançador de estilistas para a moda brasileira já tendo revelado nomes como Marcelo Sommer, Cavalera, Ronaldo Fraga, Jum Nakao, Marcelo Quadros, André Lima , Karlla Girotto, Mário Queiroz, V.Rom, Lorenzo Merlino, Fábia Bercsek, Priscila Darolt, Giselle Nasser, Samuel Cirnansck, Rita Wainer, Juliana Jabour, Icarius, Jeziel Moraes, Walério Araújo, João Pimenta e Karin Feller. O jornalista de moda apresentou as ações da Casa de Criadores, entre elas os desfiles – realizados duas vezes por ano, em locais inusitados, Projeto Lab – que apoia a criação de pequenas coleções, com 10 looks, para novos estilistas, Fashion Mob – passeatas de moda nas ruas da cidade de São Paulo com alto engajamento de artistas, modelos, costureiros e pessoas ligadas ao mundo da moda em geral, palestras de capacitação para novos talentos da moda e a consultoria BtoBe, que ajuda os jovens empreendedores a entrar no mercado da moda.

Depois do criador, veio a criatura. A palestra do estilista revelado pela Casa de Criadores e hoje reconhecido nacionalmente, João Pimenta, ressaltou a moda como plataforma de criação de discursos. “O nosso universo – moda masculina - é muito pobre em materiais têxteis e por isso eu procuro criar tecidos e combinações conceituais”, disse. Para ele, a moda deve servir para criar discursos, sendo que o mais batido no seu trabalho é o contraponto masculino e feminino no que diz respeito às formas. “Por que o masculino precisa ser sempre quadrado?”. O questionamento de Pimenta gerou uma série de trabalhos, alguns que desagradaram parte da crítica especializada, como o body para homens. “Algumas coleções, eu desenvolvo para criar a discussão, fomentar uma ideia, sei que não será comercialmente utilizada”, contou, acrescentando que também produz coleções comerciais. “Acredito que você pode fazer uma revolução com uma roupa”, concluiu.

Impressão 3D

Na sequencia, o diretor da Cliever 3D, Rodrigo Krug, apresentou um histórico da impressão 3D, destacando que, após 2009, as máquinas foram barateadas, consequência do fim de algumas importantes patentes internacionais em voga até então. Fundada em 2012, a Cliever produz, além das máquinas, as matérias-primas (filamentos) que as abastecem. Hoje, segundo ele, uma máquina dessas pode custar R$ 3.900, algo impensável anos atrás. “A impressora 3D vem transformando os processos tradicionais de produção, tornando-os mais exclusivos, ágeis e colaborativos”, destacou. Atualmente, as máquinas disponíveis no mercado brasileiro trabalham com polímeros e cerâmicas. “Os produtos podem ser baixados por sites específicos e impressos nas máquinas”, explicou.

Melissa para “melisseiras”

Uma das palestras mais badaladas foi a de Edson Matsuo, ativista criativo da Melissa. Para uma plateia tomada, especialmente pelo reforço das “melisseiras” que tomaram grande parte dos acentos, Matsuo contou um pouco da história da marca de 35 anos que conquistou o Brasil e o mundo. “Em primeiro lugar, devemos colocar que a Melissa não é da Grendene, é de vocês”, disse. Usando a ideia original de Simon Sinek, o ativista criativo falou do chamado círculo de ouro, onde é imposta a necessidade de primeiro se perguntar o porquê da criação, depois como proceder no desenvolvimento e somente por último o que se está fazendo. “Geralmente se adota o processo inverso, o que está errado”, disse. Ressaltando que o design é uma poderosa ferramenta colaborativa de construção de possibilidades, ele destacou que a base do sucesso comercial da Melissa é unir design, experiência e felicidade.

Para Matsuo, o processo criativo, para ser eficiente, deve ser realizado fora do network profissional. “Se você quer inovar, ouça coisas diferentes, assim você vai enxergar algo diferente do que o que todos no seu meio estão vendo”, destacou. 

Ao final da exposição, o ativista apresentou a nova marca One By One, que vai permitir 81 combinações a partir de 9 pés adquiridos, isso porque a consumidora poderá comprar apenas uma unidade sem distinção de pé direito e esquerdo, fazendo as combinações que desejar.

Twins for Peace

Encerrando o ciclo de palestras, aconteceu um bate-papo com o diretor da Acaju do Brasil e representante da marca Twins for Peace no Brasil, Dimitri Mussard. O jovem empreendedor contou a história da marca que tem forte atuação no terceiro setor, doando um par a cada comprado para crianças em situações de vulnerabilidade em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento.

A marca francesa doou 50 pares de tênis brancos para o projeto Varal Social, que aconteceu durante a Maratona MUDE. Os pares, somados a outros doados para o evento, depois de customizados pelo público presente, foram doados para o Abrigo Bom Pastor, em Novo Hamburgo/RS. Em solo brasileiro, a parceira oficial da Twins for Peace é com a Fundação Gol de Letra. O ex-jogador Raí, que preside a ONG, é também o embaixador da grife no País.

Workshops

Dando início à maratona de workshops, que também aconteceram no Centro de Eventos do Barra Shopping Sul, o cool hunter Bruno Pompeo destacou as principais tarefas na rotina de um cool hunting – caçador de tendências. Pompeo explicou sobre a influência dos movimentos culturais pós-modernos na geração de tendências de consumo, como os movimentos feministas, queda do muro de Berlim, descoberta do DNA e referências musicais. “O rock mudou a cabeça das pessoas”, contou ele sobre o impacto do gênero musical em questões de comportamento. Ele salientou, também, que é preciso tirar o foco da produção e pensar em consumo. Para tanto, é preciso olhar para as novidades acerca da vida cotidiana e prestar atenção nas segmentações geográficas e demográficas – que incluem idade, sexo e classe. “Estudar tendências é uma forma de se compreender melhor o consumidor contemporâneo”, acrescentou.

A especialista em marketing e varejo Katherine Sresnewsky falou sobre Marketing Aplicado à moda e ressaltou que o calçado brasileiro está em fase de inovação e “é preciso explorar o que sabemos fazer bem”. De acordo com Katherine, o Brasil é mundialmente reconhecido em diversas frentes, incluindo os segmentos calçadistas e de beach wear. Além disso, ela salientou que o varejo de moda é o sexto setor no ranking geral do comércio e que, apesar de parte dos negócios estarem na informalidade, continua em expansão. “Retail is detail, varejo é detalhe”, citou a especialista, ressaltando que é preciso prestar atenção nos pequenos detalhes como forma de oferecer o diferencial que o consumidor deseja ver e sentir ao entrar em uma loja.

Christian Ullmann, um dos idealizadores do Acre Latex Design Lab, também em exposição no evento, falou sobre a parceria com o Governo do Acre que oportunizou o projeto realizado em conjunto com artesãos de uma comunidade na Amazônia. Ullmann frisou que dentro da sustentabilidade há vários caminhos a serem seguidos. “Para ter diferentes resultados precisamos pensar diferente, unindo meio ambiente, economia, empresa e sociedade em uma mesma sintonia”, pontuou, destacando que através de referências naturais é possível criar um projeto contemporâneo. Para tanto, Ullmann citou cases de sucesso no segmento de eco design, como produtos feitos com bioplástico, desenvolvido a partir do milho e da soja.

Por fim, a estilista Meline Moumdjian compartilhou com a plateia seus anos de experiência no desenvolvimento de calçados e deu noções de desenvolvimento de coleção. De acordo com ela, para encontrar o sucesso, o produto desenvolvido precisa ter um design inovador, surpreendente e que desperte uma sensação de desejo na consumidora. “Mas o grande desafio é encontrar o equilíbrio entre os setores de marketing,comercial e estilo”, destacou, acrescentando que esse objetivo poder ser alcançado a partir do momento em que o estilista busca conhecer melhor o campo fabril e entender o que pode ser produzido e como pode ser vendido. “Quando forem produzir algo novo, o primordial é que ele tenha aceitação no mercado, não adianta apenas desenhar para enaltecer o ego”, indicou Meline, ressaltando que conhecer e dominar as ferramentas tecnológicas por traz do desenho de calçados é outro quesito fundamental na vida profissional de um designer.

Realização

A Maratona MUDE foi uma realização da Abicalçados e Brazilian Footwear que teve patrocínio da Apex-Brasil, Francal Feiras e Grupo Couromoda. A parceria foi Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos para os Setores do Couro, Calçados e Afins (Abrameq), Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), Istituto Europeo di Design (IED) e Usefashion.

Fonte: Unidade de Promoção de Imagem Abicalçados

 

 

 

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